Tempo, Vida. Relógio. À memória dos amigos que já perdi. Aos que espero não perder. Aos que acreditam na solidariedade. NÃO SEI POR ONDE VOU ... SEI QUE NÃO VOU POR AÍ

18
Dez 08

Leio com habitualidade os artigos de Mário Soares publicados no DN, pelo reconhecimento da qualidade temática e da importância da opinião,  dada a idoneidade intelectual que lhe é imanente, amadurecida pela idade, podendo pela suficiência económica que usufrui, ser autenticamente livre nas suas convicções.

 

Da aliança entre idoneidade e liberdade, todos somos beneficiários, ainda que não submissos seguidores.


Mário Soares, sendo de uma lucidez cativante e dotado da perspicácia de antecipar caminhos, é alguém de que se gosta pessoalmente e se quer gostar como político. Mas, no plano político, se o admirei antes do 25 de Abril é, nos dias actuais, de alguma forma, custoso.

 

Claro que mantenho o que dito ficou no intróito. Ainda recentemente infrutiferamente apontou o dedo para o partido que fundou, por condutas desviantes, em nome de um Estado de Direito Social.

 

E cantamos: «Bravo, meu bem».

 

No DN do dia 16, dá expressão às seguintes afirmações, que se transcrevem:

 

« Os Estados desviam milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas. Será necessário. Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma? E os auditores que fecharam os olhos - ou não os abriram suficientemente - e os dirigentes políticos que se acomodaram ao sistema, não agiram e nem sequer alertaram, continuam nos mesmos lugares cimeiros, limitando-se a pedir, agora, mais intervenções do Estado, com a mesma desfaçatez com que antes reclamavam "menos Estado" e mais e mais privatizações?»

 

E sem delongas, continua:

 

« Pedem-se e pediram-se sacrifícios para cumprir as metas do défice, impostas por Bruxelas. Mas, ao mesmo tempo, os multimilionários engordaram - os mesmos que agora emagreceram na roleta russa das economias de casino - e os responsáveis políticos (os mesmos, por quase toda a Europa) não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma? E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades... ».

 

Palavras importantes, sérias, argutas, concretas, apropriadas, saibam os destinatários mudar caminho…

 

E voltamos a cantar, sem que a voz nos doa: Bravo, meu bem!

 

Cabe agora perguntar se Mário Soares olha também para o umbigo e se, em vida, se questiona a si próprio sobre o «enriquecimento dos gestores públicos» que nomeou para o sistema bancário, a promoção pela via partidária (nenhum dos vários Governos está imune), se já no seu tempo os bancos se socorriam dos paraísos fiscais – não só como meras filiais sujeitas à supervisão prudencial e também jurisdicional, mas também pessoas jurídicas autónomas, de direito estrangeiro, imunes aos Tribunais Portugueses. Se não foi ele próprio quem esteve na origem do regresso de Jardim Gonçalves – agora  transformado em fonte de todas as maledicências – e que o vieram a conduzir à Presidência do maior Banco nacionalizado: o BPA, quase esquecido. Se outros, sob a sua bengala ou compromissos de ocasião, com a saída do «Snr. Engenheiro» para o criado BCP, não foram nomeados Presidentes e/ou nomeados para lugares de Administração e, subordinadamente, Directores de elevado mérito substituídos pelos burocratas submissos a quem está no poder e carrascos de quem, ainda que silenciosamente, não era «alinhado»?

 

Não tenho mandato e a questão é melindrosa.

 

Mas não saberá o Dr. Mário Soares como foi afastado o Dr. Alberto Luís – sim, o da nossa grande escritora Agustina Bessa Luís – que era – ainda o é - o mais dotado e prestigiado advogado e jurista de Direito Bancário, o que primeiro trouxe esta temática para o crescente papel que lhe é reconhecido?

 

Ou, o atrevimento de, tendo sido Presidente da República e alcançado lugar na História Portuguesa do séc. XX, ser usado pelo partido - para novas eleições Presidenciais, já com a vetusta idade de 80 anos e com o justo amargo de boca de ser relegado para 3.º lugar nestas eleições - contra a candidatura do seu velho e fiel amigo Manuel Alegre?

 

Alegando que o fazia para o bem da juventude, este capital mais desvalorizado que as quebras bolsistas e que, no desemprego e sem qualquer sinal de luz, desesperadamente assiste ao passar do tempo?

 

A opinião pública não esquece este último facto – o outro foi devidamente abafado na gestão corrente da coisa pública – pelo que, embora nos autocarros se comentem os assuntos diários, à luz da informação que nos é «fornecida», há sempre alguém que resiste, que se lembra...

 

Que bom seria Mário Soares meditar no conteúdo que corporiza nesse texto:

 

« É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...»

 

Com todo o carinho por quem é e será símbolo, mesmo solidário com este escrito, não levo esta aparência de carta até à Fundação Mário Soares.

 

Ele terá, a justo título, mais com que se preocupar ...

 

publicado por Manuel Luís às 10:08
música: John Lennon, Merry Christhmas... até 25.12

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