Tempo, Vida. Relógio. À memória dos amigos que já perdi. Aos que espero não perder. Aos que acreditam na solidariedade. NÃO SEI POR ONDE VOU ... SEI QUE NÃO VOU POR AÍ

06
Nov 08

Entendo que a amizade contém laços mais permanentes que o amor, mas este abrange «algo mais» que aquela, busca a repartição a dois de momentos provativos, de troca de promessas, de carinhos.

 

Amor também não será sinónimo de paixão, ainda que esta o incorpore e se deseje que «seja infinito enquanto dure».

 

Não é também «posse» no sentido de coisificação do ser humano, livre e auto.determinado na sua autonomia e independência.

 

Não ouso buscar um conceito dicionarístico de amor... seria despropositado.

 

Não se desconhece a troca de juramento de amor eterno implícito no formalismo da secular instituição do casamento. Mas sabemos que boa parte são de durabilidade meramente temporal,

 

Nas sociedade monogâmicas, amor é só um - o actual -, aqui e ali temperados pelas pequenas «traições».

 

Já os amigos, implicando uma pluralidade são referidos como «bem poucos».

 

As pessoas buscam incessantemente nas suas vidas, um amor, ou o que idealizaram como tal. Conexionam-no com estabilidade, seja na juventude, seja no decurso do longo e maduro percorrer das demais etapas da vida.

 

Busca-se a pessoa que seja nossa companhia, companheira, cúmplice, aquela que nos saiba olhar e nos compreenda nos momentos difíceis, por palavras ou silêncios, estes complementados com um abraço pleno de calor, que nos fortaleça e dê ânimo para continuar numa sociedade cada mais mais competitiva, apressada e turbulenta.

 

Mas, sobretudo, destituída de valores morais tradicionais enquanto se busca uma nova modalidade de enquadramento da vivência afectiva.

 

Não há tempo para nada: ao espectro do desemprego, dos contratos a termo, dos horários cada vez mais diferenciados, com transportes incapazes de corresponder, quer em celeridade, quer em comodidade, a multiplicidade destes afazeres, vem acrescer a habitualidade de tarefas no lar doméstico, diárias e complementares, abrangendo desde a preparação das refeições, o transporte dos filhos às escolas, o seu acompanhamento escolar, às compras dos alimentos.

 

Eis, rudimentarmente expressa, a fadiga da viagem do dia a dia humano.

 

Hábitos que, muitas vezes ou até quase sempre, obstam à disponibilidade para uma relação exigente como é a da vivência diária de um amor, de uma relação que exige sacrifício e recíprocas concessões.

 

As zangas, os perdões... a conclusão de incompatibilidade ...

 

A vida da mulher melhorou substancialmente a partir do 25 de Abril em Portugal. Creio mesmo ser a mais profunda alteração dos hábitos pessoais, a única verdadeira «revolução operada».

 

É preciso recordar tempos em que mulher não virgem era ostracizada. Lembrar Tony de Matos a cantar «Caiu, por amar quem não lhe quis... e era tarde quando viu que era para sempre infeliz».

 

Agora, nunca é tarde para lutar pela felicidade.

 

Será necessário recordar que a mulher casada não podia exercer actividade de comércio sem autorização do marido ou ter uma simples conta bancária?

 

Ridículo, não era? Estas e outras, são águas passadas.

 

Mas continuam bem presentes as dificuldades de conciliar o choro nocturno de recém-nascido, com a supra referida imperayividade de levantar cedo, de alimentar, ir trabalhar, com contratos precários e horários «liberalizados», enfrentar as muitas canseiras de transportes insuficientes e de falta de qualidade, regressar para a canseira de compras e para iniciar nova etapa na cozinha, na limpeza de roupa ... 

 

E depois de tudo isso, ter a vontade e energia adequada à satisfação das solicitações amorosas de maridos carentes. Não ter ditas «dores de cabeça».

 

Muitas alegam mesmo. Tarefa impossível.

 

Pelo menos, será de grande dificuldade, creio.

 

Sem conclusões precipitadas, empíricas, aí está eventual fonte de numerosos casos de divórcios prematuros - a falta de sacrifício pessoal inerente a uma relação por parte de quem quer viver o hoje e já - e da natalidade decrescente.

 

Por tudo isto, o fracasso de uma relação não é acto «culposo» - apenas uma derrota para ambos - mas acarreta quase sempre mágoas profundas e traumas dificeis ou impossíveis de apagar.Mas não pode nem deve excluir as situações de imaturidade e de impreparação de ambos os membros do casal.

 

É o progressivo descrédito da instituição «casamento» que não é, no plano histórico, necessariamente sinónima de amor.

 

As leis vigentes, contradizem a instituição, no plano civil e fiscal, incentivando as «uniões de facto». Os bens ficam na titularidade de um enquanto o outro contrai as dívidas que vem a incumprir. O devedor sem patromónio nada paga e o que tem bens, nas não rendimentos obtém subsídios estatais, escolares, etc, tudo gira em volta de declarações fiscais que se sabe inverídicas.

 

Há preconceitos melhor ou pior disfarçados e que o condicionam.

 

Mas todos têm o direito de o buscar, ainda que seja tesouro da arca perdida.

 

A amizade é mais estável sobretudo nos momentos em que ainda não existe uma relação de amor, com os ditos e incentivos a novos conhecimentos e relacionamentos, como, mais tarde, nos momentos de desenlace, quando as frustrações dominam o ser humano, o/a amigo/a pode ser conforto natural induspensável.Ainda que, quase sempre, esporádico.

 

Porém, fases há em que velhos amigos se limitam a perguntar se tudo vai bem, quase por hábito e, rapidamente seguem sua própria vida, perdidos na multidão impessoal que caminha ao seu redor...

 

O fim de um amor, excluindo esses psicopatas que matam por motibos passionais, com esquemas que demonstram a maldade humana, só tem um remédio.

 

Levantar, ficar mais forte, grande auto-estima, força e beleza interior e, em suma, acreditar em si e na constinuidade da busca da felicidade.

 

Mas todos dizem ter poucos amigos. Há amigos de sempre que se tornam candidatos a uma «noite» quentinha e descompromissada.

 

A mulher carece de algo mais, quantitativa e qualitativamente: o amor tem uma prioridade de natureza psicológica, anímica e são muitos os pressupostos para confiar. E gato escaldado de água fria tem medo.

 

E, assim, com maior ou menor convívio com os amigos, se prossegue a busca «do que realmente interessa. Um recomeço, um encontrar verdadeiro de alguém que seja candidato a amar para toda a vida. Mas amar não é possuir». Caminho dificil e tendencialmente labirintico. Mas quando encontram, aí está seu refúgio.

 

Esta essência da busca feminina, vista pelo olhar desprovido de sexto sentido. O que não prejudica o facto de, em nome de uma independência económica e de privacidade da vida privada e intimidade, vão surgindo novas formas de relacionamento, antes desconhecidos.

 

Este fenómeno é, porém, ainda marginal. As pessoas e a mulher, em particular, busca o que se denomia por «amor verdadeiro, companheirismo, intimidade, cumplicidade e o toque que é antecâmara dos desejos naturais do ser humano.

 

Que se não confunda amor e prazer... têm a palavra os psicólogos...

 

 

publicado por Manuel Luís às 11:57
sinto-me: A necessitar de uma psicóloga
música: Felicidade; Mulher; Amizade; Paixão; Trabalho

Excelente explanação Dr. Manue Luís, os genuínos amigos são aqueles em que podemos contar quando nos sentimos desanimados, são verdadeiros refrigério ou balsámo para alma deprimida.Mesmo numa relação romântica rompida, ainda pode perdurar o laço da amizade que é um vinculo indestrutível e incondicional.
Um abraço.

Anna Marrie
Manaus/Amazonas/BRASIL
Anna Marrie Rebouças a 6 de Novembro de 2008 às 22:36

Tão lindo... escreves sobre o que ainda não tive coragem para o fazer... a condição feminina! A luta da mulher tem sido um desbravar de mato tão extenso quanto o universo. Mas tem sido uma luta ainda imberbe... é a mulher, na sua condição de "frágil" que alimenta algum desrespeito sobre a sua condição. Não porque seja masoquista, mas talvez porque somos e sempre seremos animais. Puro e duro! Animais que lutam para que as suas crias sejam as dominadoras do grupo, pois afinal escolheram o macho mais capaz para procriarem. Este parece ser o nosso inconsciente colectivo genético pertencente a todas as espécies do reino animal. Por outro lado, já enquanto homo sapiens, a sociedade excluiu o homem da capacidade de ser afectuoso com a sua prole. E o homem é tão afectuoso! E hoje acho que as mulheres estão mais apaixonadas pelos homens do que antigamente, pois esse seu lado afectuoso deixou de estar encerrado no seu coração. Os filhos poderão ter a oportunidade para ter dois pais! E cada vez mais nascerão crianças do amor e não filhos de uma relação de ódio ou de desilusão! Se calhar, na geração dos ditos filhos do amor, a mulher deixará de ter necessidade de lutar pelo seu espaço social. E o homem deixará de lutar pelo seu espaço familiar.
Não sei! É uma ideia!
Larissa a 8 de Novembro de 2008 às 22:44

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