Tempo, Vida. Relógio. À memória dos amigos que já perdi. Aos que espero não perder. Aos que acreditam na solidariedade. NÃO SEI POR ONDE VOU ... SEI QUE NÃO VOU POR AÍ

23
Dez 08

1. Disse no dia 21 que me atribuía prendas de Natal, normalmente livros jurídicos. Normalmente... Não esgota, pois, o leque de opções. Adoro livros de História e a Literatura, a Poesia apenas foram secundarizadas pelas exigências de actividade profissional.
Tenho tentado suprir tal lacuna e regressar às leituras da juventude, abrangendo não só os mais consagrados como os novos que vão surgindo - temos sempre uma falta de informação nesta matéria - de que destaco o José Rodrigues dos Santos, o habitual apresentador de noticiários que nos pisca o olho e dá um sorriso enigmático, sempre que as notícias terminam por algo picante. Tem talento... e já li dois livros seus... Continue, pois, visto o seu talento ir, inquestionavelmente, muito além da apresentação de noticias.

Este vício da leitura, esmorecido embora pelas crescentes dificuldades de visão originadas pelo permanente recurso e exposição ao brilho dos computadores, levou-me a praticar uma pequenina maldade: espiar, resistindo menos que uma criança, os livros que só devem ser vistos no dia de Natal. É... na minha infância... era na manhã seguinte e nem se dormia em condições, ávidos da chegada da manhã. Agora é após o jantar em família, hábito que creio instalado em muitas casas portuguesas...

Assim, pude verificar que da ementa consta um livro publicado pelo Circulo de Leitores e da autoria de Joaquim Fernandes, que nos brinda em temas de História e, desta vez, escreveu O Grande Livro dos Portugueses Esquecidos.

Humm... nem sei a quem se destinará - a filha «devora» livros, sobretudo em inglês e tenho alguma tristeza que não desenvolva actividade nesta língua que domina e a Advocacia é actidade muito exigente e nem sempre bem remunerada -, mas o importante foi mesmo dar uma primeira «espreitadela» ao livro, dedicado « A todos os portugueses que tiveram razão antes do tempo e foram penalizados por isso».

Logo no início do prefácio, de autoria de Carlos Fiolhais, escreve-se o seguinte:
« A identidade nacional faz-se a partir da memória, mas  a memória portuguesa é estranhamente selectiva. O historiador Joaquim Fernandes, neste seu livro bem documentado sobre os «portugueses esquecidos», vem lembrar-nos muitos nomes que, apesar de o merecerem, não têm conseguido passar no crivo da nossa memória colectiva» ...

E na Introdução, logo é vertida uma referência a Luís de Camões (Os Lusíadas, Canto I, Estrofe 10). «E julgareis qual é mais excelente. Se ser do mundo rei, se de tal gente».

Vou recolocar o livro no devido lugar, seguro que me aguardam 346 páginas de leitura.

É que se a vida moderna quase impõe o imediatismo, a cultura de notícia televisiva, o correr quase desenfreado de gente anónima de uma lado para o outro, vivendo a sua vida limitada ao momento presente, ansiosa pelo trabalho e seus horários e, actualmente cada vez mais, pela sua própria manutenção que é fonte de subsistência - valor mais alto a preservar -, certo é que, ainda que minoritários, devemos estar atentos a quem nos apela e chama para os valores da nossa autêntica memória colectiva e identidade nacional, sobretudo para que esta se não torne coutada de demagogia e interesses partidários momentâneos...

2. Espero escrever pouco neste final de ano, mas procurarei fazer perguntas ou recadinhos a pessoas que estimo intelectualmente. Olá Marcelo Rebelo de Sousa, Feliz Natal. Pergunto duas coisas simples:
a) Porque, sendo tão inteligente e estando a percorrer uma estrada com vistas Presidenciais a médio prazo, sempre atribui notas altas a condutas do seu Partido, e as atenua e até desculpa, mesmo quando toda a opinião pública sabe a péssima prestação de Manuela Ferreira Leite - Ministra criadora desse IMI que devora os nossos parcos rendimentos e que opinou que casamento se destina apenas ... nem digo, pois os casais sem filhos, sem e contra a sua vontade, devem ter sentido arrepios. Lembre sua ex-companheira de Partido, a enorme e falecida poetisa Natália Correia e que ironizou em poema que as relações entre cônjuges apenas se destinavam à procriação de filhos?
Ainda bem que os discursos, agora, vêm escritos... o staff deve ter muito trabalhinho...
b) Porque considerou inadmissíveis os elogios de um importante membro do seu Partido a José Sócrates? Certo, a desilusão nacional, tem feito dele quase o anedotário favorito.

Mas já vi gente do PS elogiando alguém do PSD.
A questão é esta mesmo: se só se pode elogiar membros do Partido - os outros levam nota sofrível ou negativa - não estamos precisamente a fomentar o que a nossa Democracia tem de pior, isto é, apenas considerar os «compagnons de route», ficando os demais no vale ou abismo do esquecimento? Será assim que se vão avaliar os funcionários públicos ou até os Professores? De si, porque, repito, é uma das grandes inteligências na abordagem dos mais variados temas, esperava, senão absoluta neutralidade, pelo menos a independência que distingue os Homens de Estado.

Não custa nada. Dê esse passo em frente, em nome dos que o admiram, pela sua argúcia e capacidade de argumentação, ou seja, independentemente da sua filiação partidária.

 

Ou continuará a senda e saga dos Portugueses esquecidos?

publicado por Manuel Luís às 15:42
sinto-me: ... a esperar que os políticos

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