Tempo, Vida. Relógio. À memória dos amigos que já perdi. Aos que espero não perder. Aos que acreditam na solidariedade. NÃO SEI POR ONDE VOU ... SEI QUE NÃO VOU POR AÍ

18
Dez 08

Leio com habitualidade os artigos de Mário Soares publicados no DN, pelo reconhecimento da qualidade temática e da importância da opinião,  dada a idoneidade intelectual que lhe é imanente, amadurecida pela idade, podendo pela suficiência económica que usufrui, ser autenticamente livre nas suas convicções.

 

Da aliança entre idoneidade e liberdade, todos somos beneficiários, ainda que não submissos seguidores.


Mário Soares, sendo de uma lucidez cativante e dotado da perspicácia de antecipar caminhos, é alguém de que se gosta pessoalmente e se quer gostar como político. Mas, no plano político, se o admirei antes do 25 de Abril é, nos dias actuais, de alguma forma, custoso.

 

Claro que mantenho o que dito ficou no intróito. Ainda recentemente infrutiferamente apontou o dedo para o partido que fundou, por condutas desviantes, em nome de um Estado de Direito Social.

 

E cantamos: «Bravo, meu bem».

 

No DN do dia 16, dá expressão às seguintes afirmações, que se transcrevem:

 

« Os Estados desviam milhões, que vêm directamente dos bolsos dos contribuintes, para evitar as falências de bancos mal geridos ou que se meteram em escandalosas negociatas. Será necessário. Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma? E os auditores que fecharam os olhos - ou não os abriram suficientemente - e os dirigentes políticos que se acomodaram ao sistema, não agiram e nem sequer alertaram, continuam nos mesmos lugares cimeiros, limitando-se a pedir, agora, mais intervenções do Estado, com a mesma desfaçatez com que antes reclamavam "menos Estado" e mais e mais privatizações?»

 

E sem delongas, continua:

 

« Pedem-se e pediram-se sacrifícios para cumprir as metas do défice, impostas por Bruxelas. Mas, ao mesmo tempo, os multimilionários engordaram - os mesmos que agora emagreceram na roleta russa das economias de casino - e os responsáveis políticos (os mesmos, por quase toda a Europa) não pensam em mudar o paradigma ou não anunciam essa intenção e não explicam sequer aos eleitores comuns, os eternos sacrificados, como vão gastar o dinheiro que utilizam para salvar os bancos e as grandes empresas da falência, aparentemente deixando tudo na mesma? E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades... ».

 

Palavras importantes, sérias, argutas, concretas, apropriadas, saibam os destinatários mudar caminho…

 

E voltamos a cantar, sem que a voz nos doa: Bravo, meu bem!

 

Cabe agora perguntar se Mário Soares olha também para o umbigo e se, em vida, se questiona a si próprio sobre o «enriquecimento dos gestores públicos» que nomeou para o sistema bancário, a promoção pela via partidária (nenhum dos vários Governos está imune), se já no seu tempo os bancos se socorriam dos paraísos fiscais – não só como meras filiais sujeitas à supervisão prudencial e também jurisdicional, mas também pessoas jurídicas autónomas, de direito estrangeiro, imunes aos Tribunais Portugueses. Se não foi ele próprio quem esteve na origem do regresso de Jardim Gonçalves – agora  transformado em fonte de todas as maledicências – e que o vieram a conduzir à Presidência do maior Banco nacionalizado: o BPA, quase esquecido. Se outros, sob a sua bengala ou compromissos de ocasião, com a saída do «Snr. Engenheiro» para o criado BCP, não foram nomeados Presidentes e/ou nomeados para lugares de Administração e, subordinadamente, Directores de elevado mérito substituídos pelos burocratas submissos a quem está no poder e carrascos de quem, ainda que silenciosamente, não era «alinhado»?

 

Não tenho mandato e a questão é melindrosa.

 

Mas não saberá o Dr. Mário Soares como foi afastado o Dr. Alberto Luís – sim, o da nossa grande escritora Agustina Bessa Luís – que era – ainda o é - o mais dotado e prestigiado advogado e jurista de Direito Bancário, o que primeiro trouxe esta temática para o crescente papel que lhe é reconhecido?

 

Ou, o atrevimento de, tendo sido Presidente da República e alcançado lugar na História Portuguesa do séc. XX, ser usado pelo partido - para novas eleições Presidenciais, já com a vetusta idade de 80 anos e com o justo amargo de boca de ser relegado para 3.º lugar nestas eleições - contra a candidatura do seu velho e fiel amigo Manuel Alegre?

 

Alegando que o fazia para o bem da juventude, este capital mais desvalorizado que as quebras bolsistas e que, no desemprego e sem qualquer sinal de luz, desesperadamente assiste ao passar do tempo?

 

A opinião pública não esquece este último facto – o outro foi devidamente abafado na gestão corrente da coisa pública – pelo que, embora nos autocarros se comentem os assuntos diários, à luz da informação que nos é «fornecida», há sempre alguém que resiste, que se lembra...

 

Que bom seria Mário Soares meditar no conteúdo que corporiza nesse texto:

 

« É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...»

 

Com todo o carinho por quem é e será símbolo, mesmo solidário com este escrito, não levo esta aparência de carta até à Fundação Mário Soares.

 

Ele terá, a justo título, mais com que se preocupar ...

 

publicado por Manuel Luís às 10:08
música: John Lennon, Merry Christhmas... até 25.12

 

Sonhei contigo? Sei que acordei, de repente, a pensar em ti.

Como te desejei ... amor que nunca vira, mas descobria

Na seiva que emanas, no calor que despertas, sempre aprendi

Eras meu norte, minha ansiedade, minha busca... mas entardecia.

 

Brotada a flor, quem te acorrentava e fingia te desconhecer

Te usou, manobrou, abusou, empalideceu, quase destruiu

Velhos egoísmos, grandezas, corrupção, ajudaste a crescer

Falsas competências, compadrios, nem olhaste quem te sentiu

 

Inventaram paraísos, milagres de multiplicação dos pães e outros mais

Povo que pobre era, pobre ficou... quem te ama na onda de corrupção veio a naufragar

A riqueza é a criada pelas mãos humanas, não em paraísos fiscais

Ou em guerras que teu emblema possam usar, que a Paz é teu ventre e teu alguidar

 

Que agora amadureceste… podes melhor compreender e destacar

Nasceste para todos em apertado abraço e na ânsia e busca da Verdade

Que a Justiça, se a há, em ti se cumpra e seja nosso delicioso manjar…

Sê tu mesma, como te amei e desejei, minha doce ternura, nossa Liberdade

publicado por Manuel Luís às 08:37
sinto-me: ... a acordar demasiado cedo

17
Dez 08

Este espaço de reflexão, na simples veste de cidadão, não pode ter a aspiração, muito menos a pretensão, de ensinar algo.            

 

Tal tarefa incumbe exclusivamente às faculdades e, na sua aplicação prática, a advogados que são as vozes técnicas das partes interessadas e aos juízes que têm a missão de julgar, desde logo decidir quais os factos pertinentes que interessam ao litígio concreto em apreciação – os Tribunais não são escolas no sentido de terem por missão ensinar – e aplicar o Direito vigente face a tais factos. Decidem casos concretos da sua competência e determinam custas judiciais previstas na lei, mas desproporcionadas aos rendimentos nacionais.

 

Aqui, como cidadãos, apenas importa analisar casuisticamente situações que ocorrem – sem perder de vista a possibilidade de um blogue mais profundo na temática filosófica e histórica da evolução do Direito – ou deixar escrita uma mera opinião que sempre se não confundirá com conselhos que a legislação cada vez mais protectora de certos interesses, vai reservando a uma categoria profissional.

 

Dito de outra forma, este blogue é um meio de um «não activo» não de deixar morrer de tédio, propondo-se escrever sobre temas que, mais dia, menos dia, se limitarão ao designado «Direito Bancário», mas que, antes disso sente um longo caminho a percorrer…

 

É uma reflexão conjunta com os que se dignarem perder algum do seu precioso tempo com a leitura destas divagações…

 

Dissemos anteriormente que o Direito está presente na nossa vida diária, ainda quando dele não nos apercebemos, mas logo tropeçamos nele nas mais variadas circunstâncias da vida em sociedade.

 

E não apenas o direito positivo português. O cidadão que se apaixona e quer casar com uma estrangeira depara-se com dois ordenamentos jurídicos que nada garante serem próximos.

 

Falou-se em tempos de um suposto casamento celebrado em certo País entre figuras dos meios televisivos. 

 

E, como mera referência, tenha-se em vista que a vizinha Espanha legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

 

Daí poder perguntar-se se um tal casamento realizado em Espanha, sendo uma das partes portuguesa, pode operar o seu reconhecimento pela lei portuguesa. Não opera.

 

Sempre que existe uma relação entre pessoas de nacionalidades diferentes, terá de se ter em conta que é a lei pessoal de cada um deles e que será a competente para reger a sua capacidade para certos e determinados actos ou relações jurídicas.

 

E, regressando ao casamento heterossexual, o divórcio celebrado em França entre dois portugueses opera, sem mais, os seus efeitos em Portugal?

 

Pensemos da seguinte forma: e se a lei civil francesa contemplar meios de divórcio não consentidos pela lei portuguesa? O simples repúdio, por exemplo, a qualquer momento, como chegou a ser defendido por uma corrente no nosso Parlamento?

 

Haverá pois de indagar da conformidade dos fundamentos constitutivos da decisão com a lei portuguesa, o que se concretiza mediante a designada revisão de sentença estrangeira.

 

O que nos aponta a necessidade de conhecimentos rudimentares de direito processual civil ou processo civil, a que nos referiremos.

 

É que as situações da vida real podem ir desde a mera curiosidade ou efectivo conhecimento sobre a existência ou inexistência de determinados direitos - ex: direitos dos consumidores - até à de litígios concretos, em que se deverá recorrer ao patrocínio de mandatário judicial.

 

Duas observações neste caso:

 

1.º - É direito indeclinável do cidadão que o Advogado não revele sequer a sua presença no escritório para consulta jurídica (pense-se no arrolamento de bens do casal como acto prévio à instauração de uma acção de divórcio);

2.º - Na emoção do litígio, revelamos factos – todos sujeitos a sigilo – que nem sempre são os mais pertinentes, por amontoados ou dispersos, parte deles inóquos à defesa da causa: daí, o recurso a um técnico (perdoe-se a expressão). A peça que vai ser elaborada irá conter «algo» que é uma selecção de factos, provenientes da arte de escrever do Advogado, na sua selecção de factos materias e concretos, tendentes à boa execução do mandato e, tendo em vista a procedência do pedido formulado.

 

Nas grandes empresas, vem sendo utilizado o recurso de dispôr sempre de «cópia» de cada acto praticado, o que não está «democratizado», nem é uso e costume nesta actividade profissional.

Porque não pedir uma cópia que nos mantenha actualizados ao invés da genérica e vaga afirmação de que os autos andam parados nas gavetas dos Tribunais…?

 

Acresce que os Advogados estão deontologicamente impedidos de «conversar» com as testemunhas e estas, por vezes, divagam igualmente, não raro em prejuízo da parte que as indicou…

 

E, no limite, podemos estar perante grave infracção profissional e deontológiaca: é o que se afigura num caso noticiado pela imprensa – que será, evidentemente, excepção – mas não pode deixar de ser referido, como lição para nós, mesmo sem entrarmos em aspectos concretos do caso e seu julgamento.

A notícia era do processo judicial, quanto ao disciplinar, nada ainda transpirou...

 

Uma advogada, cujos clientes teriam visto a sua conta bancária penhorada e solicitaram os seus serviços para tentar evitar a sua manutenção, não terá alcançado procedência da oposição deduzida em 1.ª instância (e nem sabemos se a alcançaria em sede de recurso).

 

O que releva é que não terá recorrido e, mais tarde, para se justificar face aos clientes terá forjado (acto do foro criminal) um acórdão do Tribunal da Relação para dizer que não só perderam como estavam esgotados os meios de recurso.

 

Falamos de uma classe profissional de alto desgaste intelectual, a quem se exige um conhecimento aprofundado de tudo, que é, não apenas na teoria o defensor dos direitos dos outros … mas são cada vez mais as vozes a gritar, cada vez menos por sussurro, que isto anda tudo sem lei nem roque.

 

A Ordem anda em lutas internas entre órgãos eleitos por listas independentes e, goste-se dele ou não, é inédito um processo disciplinar ao primus inter pares, o Bastonário.

 

Mas da Ordem não falo: sem procedimento disciplinar ou outro afastou pessoas de mérito, apenas por motivos pecuniários. Amava-a mas ela não quer ser amada.

 

Finalmente, refiro que, sem prejuízo do Direito Comunitário, é no Direito Comercial que, - integrando o seu especializado ou até dependente Direito Bancário -, com a sua tendência universalizante, de importações e exportações, mais se tem avançado no domínio de situações transfronteiriças...  

 

Lá chegaremos ... a próxima tentarei dedicar a «casa de ferreiro, espeto de pau»

 

publicado por Manuel Luís às 11:37
sinto-me: ... a tentar cumprir...
música: John Lennon, Merry Christhmas

16
Dez 08

Há muito que, fartos de apertar o cinto, os portugueses esperavam o ano de 2009 como o da esperança de alguma diminuição das suas dificuldades económicas e financeiras.

 

Claro que nem falo já do «milagre» que seria a «prometida criação de 150 000 novos empregos» - isto devo ter lido mal em qualquer jornal – mas do simples facto de o dinheiro na carteira dos portugueses «furar» no dia 20 de cada mês.

 

Aquela esperança advinha da existência de três actos eleitorais, ou seja, eleições autárquicas, parlamentares ou legislativas e europeias.

 

É sabido que os políticos no poder, particularmente dispondo de uma maioria política absoluta não iriam perder a oportunidade de adoptar medidas, designadamente no plano fiscal, para se tornarem nos heróis do filme de famílias e Pequenas e Médias Empresas.

 

A crise económico-financeira americana, de que veio a evidenciar-se a corrupção a níveis antes insuspeitos e a que se dá ênfase pelo facto de serem adoptadas medidas contrárias à ideia dominante de não interferência do Estado na economia (apesar de historicamente, Roosevelt e o New Dream poderem apontar diferente caminho e do plano Marshall que esteve na origem da recuperação europeia após a 2.ª Guerra Mundial) alterou totalmente este panorama.

 

Falta apenas apurar – ninguém o estudou – se o esforço de guerra é neutro face à crise ou, ao invés, é sua causa.

 

Em qualquer caso, uma economia debilitada e remanescente como a portuguesa, aliás qualificada como periférica, sempre seria afectada por estas «constipações internacionais», arriscando dizer, contra o alegado pelo Ministro das Finanças, que, no nosso caso, poderemos estar perante uma «pneumonia».

 

Falando da dita classe média vale a pena dar uma espreitadela ao Jornal de Notícias de hoje.

 

Sob o título Luz vai subir 1,8 euros por mês para domésticos (4,3%), aí consta uma ementa parcelar dos preços de bens cujo aumento é desde já garantido.

 

É. Vamos comemorar em família o Natal, festejar o Ano Novo e logo nos festejos regressar a casa com transportes públicos mais caros, portagens e todos os outros casos que imagina.

 

Quanto a aumentos salariais uma certeza: parte do que houver – se houver - fica retido para IRS, mas uma coisa é segura.

Com greve ou sem greve nem sonhem com aumentos de 4,3% pois isso é reserva e coutada das empresas dominantes.

 

Fico-me por aqui, pois o Banco que me delapidou patrimonialmente acaba de escrever que irá ter novas regras para despesas de manutenção da conta. Ai, Sócrates, meu anjo. Anedota do ano é mesmo o aval do Estado – estamos em 1975? – para os Bancos poderem dar mais crédito às famílias e à economia. Como diz o brasileiro: «Essa, meu irmão, só contaram para você».

 

Querem conta bancária sem despesas de manutenção, essa obra de arte não constante dos contratos de depósito já antigos, mas unilateralmente modificadas por uma das partes do contrato? Então, não fiquem sem dinheiro ao dia 20. Deixem um saldo médio permanente de 1000 euros. Caso contrário, verão a conta ser debitada e, se entenderem discutir em Tribunal essas despesas preparem-se: dinheiro para preparos judiciais, honorários de Advogado e eventuais custas em caso de improcedência da acção.

 

É, concluiu? Isso mesmo…

 

Mas, claro, votos de Próspero Ano Novo são usos e costumes a preservar...

 

Haja Saúde.

 

Vai haver movimentações políticas... mas não será mais do mesmo? É que as «moscas» vão mordendo. Tenho de reler Ramalho Ortigão e o nosso Eça de Queiroz.

 

publicado por Manuel Luís às 11:33
sinto-me: sem saber que fazer ao cinto..

15
Dez 08

O Direito está permanentemente presente na vida de todos nós, desde o simples acto de nascermos – ou até em momento anterior, como resulta das diversas teses sobre o momento em que se poderá falar de «vida» - até à morte. Daí que, pessoalmente, pense que o Direito é o único bem que supera o bem Saúde. Este bem, ao menos quanto à prestação de cuidados a ele atinentes ou conexos é objecto de ordenação pelo Direito.

 

Não se pretende aludir a distinções doutrinárias, desde logo com figuras que, com ele se delimitam ou lhe são próprias ou, segundo alguns, imanentes: é o caso da Justiça, pois, entre outras, se pode recolher no antigo Direito Romano que o Direito é «a Arte do bom e do justo». Celsus, Ulpianus, e, ainda, Baldo.

 

Possíveis desenvolvimentos futuros estão na «carteira de encomendas».

 

Apenas renovar o que já aqui deixamos antever e escrevemos: A aspiração do Direito não deve ser confundida com as mutáveis Leis (Decretos-Leis, Regulamentos e até circulares meramente internas nos serviços públicos), ainda que codificadas (e alterar códigos é algo que deve ser prudentemente ponderado) e seja ordinária ou até de dignidade constitucional.

 

Mas o direito positivo merece toda a atenção, quer em sede de relações jurídicas de natureza eminentemente pessoal, como o casamento e o divórcio, a filiação e o poder paternal - ora vertido para responsabilidades parentais - seja naquilo que está umbilicalmente ligado à nossa própria subsistência e remuneração, como é o caso do Código do Trabalho e suas alterações, e que sintetizamos na contradição entre o legislado pelo moderníssimo poder socialista e o que os originários e idealistas socialistas nem se atreveriam a sonhar, menos ainda antever ou adivinhar de seus degradados descendentes.

 

As próprias Constituições podem ser revistas e sempre sujeitas à adequação com princípios jurídicos de valor e dignidade superior. Para não falar em correntes doutrinárias, lembro apenas a Declaração de Direitos objecto do último post.

 

Há alguns anos, escreveu Francisco Teixeira da Mota, Escrever Direito, 1.º vol., 1,        « Uma das coisas mais estranhas e divertidas do Direito é a forma como ele se oculta e é ocultado do nosso olhar: condiciona-nos mil e uma acções e comportamentos, está por toda a parte e, praticamente, só damos pela sua existência quando a isso somos obrigados pelas mais variadas razões. Vivemos mergulhados no Direito como no ar que respiramos e também sofremos bastante com a sua poluição». (sublinhado meu).

 

Diz-se positivo ou objectivo sempre que nos referimos às concretas normas vigentes em determinado momento histórico.

 

Todos os cidadãos com ele convivem diariamente, mesmo quando não desfrutam de tempo para nele pensar.

 

Deste direito positivo nos queixamos quando falamos do pouco cuidado na sua elaboração ou que há legislação excessiva para logo nos queixarmos de que inexiste legislação que contemple e proteja determinados bens e valores que, como cidadãos, temos a expectativa de serem contemplados.

 

Esquecemo-nos de pensar que, pela via das eleições, somos nós quem exerce um poder soberano de escolha de quem nos governa ou desgoverna, mas já é legítimo ponderar se o sistema eleitoral vigente dá efectiva oportunidade de escolha.

É que votamos em Partidos – aquele de que mais gostamos definitiva ou temporariamente – mas são os aparelhos centrais destes que designam os candidatos, porventura os mais bem comportados ou alinhados, ainda que nenhum contributo seja prestado por alguns cuja própria existência desconhecemos.

 

E, como integramos a União Europeia, que é fonte de normas directamente aplicáveis nos Estados-Membros e outras que apenas remetem o Estado para o dever de «adaptar a sua legislação», vai lá o cidadão conhecer a lei que concretamente vigora, sendo certo que o legislador, por palavras diferentes, presume o conhecimento do direito positivo seja relativo à condução na estrada, ao ambiente, numa palavra ás multifacetadas especializações que caracterizam o Mundo Moderno.

 

E isto quando se diz, relativamente à especialização: cada vez sabemos mais, mas de menos coisas.

 

Tomei uma pastilha e acusei no controlo policial?

Desconhecimento imperdoável. Paciência: «A ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecidas da lei» - artigo 6.º do Código Civil.

 

E nem contem com a benevolência policial, pois as avaliações parecem estar dependentes do número de multas. Claro que sempre se provaram casos e noutros a falta de prova não impede a opinião pública de saber... dar a volta ao texto, com cuidado

 

Aqui chegados, cumpriria ao cidadão indagar. Mas temos direitos? E quais?

 

É que, voltando às palavras escritas pelo referido Autor, « Um direito a que, em determinado quadro legal, é recusada verdadeira eficácia é, ao fim e ao cabo, um direito negado».

 

Como cidadão e consumidor, irei deixar aqui algumas reflexões.

publicado por Manuel Luís às 19:11
sinto-me: Agradecido aos amigos de blogs

10
Dez 08

Se tenho andado bloqueado, fico contente por haver quem não se deixe constrangir.

Depois de mais leituras de homicídios entre cônjuges, ou ex (o que é equivalente), de pensar que a minha magra poupança está a ser delapidada pelos Bancos sem a protecção que o Governo reservou às grandes fortunas, tinha apontado o dia de hoje para voltar a escrever, pois este tema é essencial à vida do cidadão em comunidade.

 

Este cives não o poderia ignorar. Sucede que no contexto de perguntas técnicas, notei o artigo de hoje de um médico da AMI, que tem espalhado de forma concreta a sua luta contra a doença e a miséria humana.

 

Sei que (alguns) querem leituras rápidas... penso mesmo em criar um blogue mais técnico e deixar este para temas da vida social mais correntes.

 

Mas faço um apelo... Devagar com calma, com tempo, vão ver o que escrito se mostra em

http://fernandonobre.blogs.sapo.pt/1373.html#cutid1.

 

Se não podem ler as duas páginas, anotem o endereço e leiam mais tarde.

 

Por mim, nem careço de escrever nada, deixarei a erudição na gaveta pelo menos um ano e fico satisfeito por poder aqui indicar quem tem feito, em concreto, «algo» de positivo pela humanidade.

 

publicado por Manuel Luís às 12:39
sinto-me: ... a retomar energias

02
Dez 08

HELP !

 

Como referi, tenho-me sentido bloqueado.

 

Pensei em abordar a questão de Fundos de Investimento que os bancos nos venderam como produtos sem qualquer risco de capital, mas nem o Banco de Portugal se preocupa com esse detalhe ou pormenor, pois a garantia verbal não é acompanhada de qualquer estipulação escrita.

 

E o sistema bancário já não se distingue de qualquer vendedor ambulante, tal a política comercial que têm seguido, desde a defesa política da desregulação económica até ao desincentivo dos velhinhos depósitos a prazo, sempre com uma taxa inferior à inflacção até aos produtos mais sofisticados com que nos vão arruinando.

 

E, agora, beneficiam ainda dos nossos impostos para algumas situações de verdadeiras fraudes, tudo despudoradamente em nome da protecção e garantia dos valores dos clientes... Vale tudo.

 

Alguns ainda nos escrevem, sem vergonha ou pudor, para nos revelar a excelência do produto, para serem renovados e na ausência de uma manifestação de vontade, nos creditarão a conta pelo valor que tiverem no final de Dezembro.

 

Quem a tal se atreve devia ser avaliado com um excelente, dadas as avaliações neste País, não obedecerem a nada que venha em qualquer dicionário.

 

Só que, sem colocar em causa a equipa que foi liderada por Miguel Cadilhe no Ministério das Finanças... se vai verificar e o valor nominal dos Planos de Poupança em Acções é actualmente inferior ao que investimos 10 anos atrás.

 

Ou seja, o nosso dinheiro, bloqueado contratualmente tantos anos, seria devolvido por capital inferior.

 

Se analisa os PPR's, estes de capital garantido, mas a uma taxa garantida de 2%, - os Bancos esquecem que «garantida» não implica que não possa ser superior e, pelo menos, igualize a inflacção, até porque só pode ser levantada sem penalização fiscal quando tivermos a bonita idade de 65 anos. E é tão bom dispôr de capitais tão mal remunerados.

 

Claro que o Governo se preocupa, em ano eleitoral, com as questões sociais, mas aposto que, mesmo na actual conjuntura de graves prejuízos, se preocupa em permitir o levantamento deste produto sem que sejamos fiscalmente penalizados.

 

Claro que sempre poderá refugiar-se no argumento que tais produtos foram criados pelo partido da oposição. Mas os incentivos à poupança são de todos os tempos e do interesse geral.

 

Sem falar naqueles em que fomos enganados... vai bonita a brincadeira...

 

Está demasiado frio, prejudicado na carteira e bloqueado nas ideias, nem refúgio encontro em temas de música ou teatro, que aprecio, mas nem engenho nem arte... para analisar.

 

Repito: Bloqueei, está bloqueado ...

 

Se não parar de escrever - ou escrevinhar arrazoados - é pela razão simples mas decisiva, que aqui se fazem amizades e se recebem provas de solidariedade.

publicado por Manuel Luís às 16:18
sinto-me: Como ontem

01
Dez 08

As estradas, designadamente na ligação de Porto a Bragança, estão bloqueadas por força da neve que tem caído. Sem prejuízo daqueles que, foram expressamente para os locais para brincar na neve e de algumas pessoas pernoitaram mais alguma(s) noite(s) nos locais em que se hospedaram, e sendo a situação na estrada bem acompanhada, brindaria à neve que nos encanta ver nas paisagens de outros países europeus.

 

Em pior situação ficaram as que não iam preparadas para a situação... ficaram dentro dos carros.

 

Bem, nada de especialmente grave, face às notícias que recebemos de actos da natureza e, pior, da humanidade.

 

Brindaria à ocorrência e nada mais de especial seria de assinalar.

 

Dou-me melhor, para já, com o calor...

 

O pior é que este frio intenso também me bloqueou as ideias, a imaginação e a critividade ... optei, pois, por descansar.

 

A realidade que nos rodeia em nada foi modificada, para melhor ou pior, mas pela constatação que lutar contra a corrente é múnus excessivo...

 

Prometi não voltar a falar de violência doméstica, e de novo, em 29 de Novembro, se podia ler:

 

«Homem matou mulher à facada na cidade da Guarda».

 

Outra notícia:

Espanha: 40 detidos em operação contra pornografia infantil na net

Ficaria satisfeito se forem punidos e se o número de infractores se limitasse a 40.

 

Bloquei... está bloqueado...

 

publicado por Manuel Luís às 14:55
sinto-me: Desencantado...

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